Com a força de uma “leoa” ela enfrentou os 3 homens que estupravam a filha .

Nokubonga Qampi, que vive em uma aldeia na África do Sul, foi acusada de homicídio, mas diante do clamor público o processo foi arquivado.

Uma mulher que vive em uma aldeia na África do Sul ficou conhecida como “mãe leoa” naquele país depois de matar um homem que estuprou a filha dela. Nokubonga Qampi foi acusada de homicídio, mas o clamor popular fez com que a Justiça arquivasse o processo. O caso ocorreu na província do Cabo Oriental, em 2017, e ganhou repercussão internacional nesta semana.

De acordo com a BBC, a mulher recebeu uma ligação de uma jovem informando que a filha, Siphokazi, estava sendo estuprada por três homens conhecidos na região, a cerca de 500 metros da casa onde vivem. A mãe relatou ter sentido medo, mas disse que precisava fazer algo pela garota. Ela pegou uma faca e foi até o local. “Peguei (a faca) para mim, para andar daqui até onde o incidente estava acontecendo, porque não é seguro”, contou ela.

Nokubonga e a filha Siphokazi, que foi estuprada por três homens (Reprodução/BBC)

Nokubonga relatou ter chegado ao local e perguntando o que estava acontecendo, mesmo com medo de que a filha pudesse ter sido morta. Foi quando notou que os homens foram para cima dela. Outros detalhes a respeito de como o agressor de Siphokazi morreu não foram revelados. É que a mãe se nega a falar sobre. “Eu estava com medo… Fiquei parada perto da porta e perguntei o que estavam fazendo. Quando eles viram que era eu, vieram na minha direção, foi quando eu pensei que precisava me defender, foi uma reação automática”, conta.

O homem esfaqueado pela mulher morreu e os outros dois ficaram gravemente feridos quando tentavam fugir do local – um deles se jogou de uma janela. E Nokubonga não quis saber o que ocorreu com eles. Ela apenas pegou a filha e a levou para a casa de um amigo nas proximidades.

Não demorou muito para que a polícia chegasse e prendesse a mulher. Ela foi levada para uma delegacia local e foi colocada em uma cela. Enquanto isso, a filha se recuperava em um hospital. Depois de dois dias na cadeia, Nokubonga conseguiu ser liberada sob pagamento de fiança e foi direto para a unidade de saúde apoiar Siphokazi. E tem sido assim desde então.

O caso da “mãe leoa” foi acolhido pela advogada Buhle Tonise que estava confiante com o argumento de que Nokubonga agiu em legitima defesa. No entanto, mãe e filha estavam descrentes de que pudessem ser beneficiadas de alguma forma. “Quando você encontra pessoas que estão nesse nível de pobreza, você sabe que na maioria das vezes elas acham que a mãe vai para a cadeia porque ninguém vai ficar ao seu lado. O sistema de justiça é para quem tem dinheiro”, explicou a defensora.

A situação mudou, de forma inesperada, quando a imprensa começou a dar atenção ao caso – o que não é comum para caso de estupros no pais -, e apelidou a mulher de “mãe leoa”. “A princípio, eu não gostei porque não conseguia entender”, diz Nokubonga. “Mas no final entendi que significava que eu era uma heroína, porque quando você pensa em um leão, ele protegeria seus filhotes”, contou.

A população reagiu ao fato de a mulher ser acusada de homicídio fazendo doações para que a defesa dela fosse montada. Um mês após o ataque contra a filha, Nokubonga foi chamada ao tribunal e ficou surpresa ao ver pessoas que não conhecia no local a apoiando. “Eu estava com medo de ir ao tribunal, acordei e fiz uma oração”, diz ela.

Inesperadamente, a mulher foi informada de que as acusações conta ela foram retiradas. Vários meses depois, já em 2018, os outros dois homens que estupraram Siphokazi foram presos e condenados a 30 anos de prisão cada um. E, ao contrário do que muita gente pode imaginar, a “mãe leoa” não deseja o mal deles. Ela quer que eles “voltem transformados”. “Espero que, quando terminarem de cumprir a pena, voltem transformados”, diz ela, “para contar esta história e ser um exemplo vivo”.

 

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