A bebé que nasceu com o coração fora do corpo e sobreviveu

 

 Uma bebé que nasceu  á 9 meses com o coração fora do peito superou as expectativas que lhe davam menos de 10% de possibilidades de sobrevivência, e ultrapassou três cirurgias para resolver esta rara condição cardíaca.

Vanellope Hope Wilkins é a primeira bebé do Reino Unido a sobreviver, sofrendo desta condição extremamente rara que faz com que o coração nasça fora do corpo, reporta o jornal The Guardian.

A menina foi operada, pela primeira vez, cerca de 50 minutos depois de ter nascidoe foi, entretanto, alvo de mais duas cirurgias que permitiram recolocar o coração no interior do peito. Agora, está a recuperar nos Cuidados Intensivos Pediátricos do Hospital Glenfield, em Leicester.

Davam-lhe zero possibilidades de sobreviver

Um exame efectuado às nove semanas de gravidez deu indicação da anomalia conhecida por ectopia cordis, evidenciando que o seu coração e parte do estômago estavam acrescer fora do corpo. A menina não tem o esterno, o osso que compõe a caixa torácica, onde ficam o coração e o pulmão.

Estima-se que esta condição rara afecte cinco a oito crianças num milhão, com menos de10% de possibilidades de sobrevivência. Os profissionais que operaram a bebé desconhecem outros casos no Reino Unido em que um recém-nascido com este problema tenha sobrevivido. Vanellope é já vista como uma espécie de criança “milagre”.

Os seus pais, Naomi Findlay, de 31 anos, e Dean Wilkins, de 43 anos, dizem que a menina foi uma “verdadeira guerreira”. “Quando o ultra-som mostrou o seu coração fora do peito, foi um choque. Deu muito medo, porque não sabíamos o que aconteceria”, sublinha a mãe na BBC.

“Fomos aconselhados a interromper a gestação, já que as possibilidades de ela sobrevivereram quase zero“, refere o pai. “Ninguém acreditava que ela conseguiria, a não ser nós os dois”, acrescenta.

Cerca de 50 pessoas assistiram ao parto

Vanellope deveria ter nascido no Natal, mas veio ao mundo prematuramente, a 22 de Novembro passado, através de uma cesariana, para reduzir as hipóteses de infecção e de danos ao coração.

Havia cerca de 50 obstetras, cirurgiões cardíacos, anestesistas, enfermeiros neonatais, parteiras e outros profissionais de saúde presentes no parto. A mãe conta ao The Guardian o “sentimento de alívio” quando a bebé nasceu aos “pontapés e a chorar”, com “a mão a cobrir o coração”.

A bebé passou pela primeira das três cirurgias necessárias para recolocar o coração no peito apenas 50 minutos depois de ter nascido. Depois, sofreu nova cirurgia ao cabo de sete dias, com o peito a ser aberto “um pouco mais para criar espaço para permitir que o seu coração caiba lá dentro”, explica o The Guardian.

Contando com a gravidade, que ajudou o coração a encaixar-se no interior da cavidade aberta, os cirurgiões realizaram um último procedimento que implicou retirar pele de volta dos braços da bebé para a colocar na costura no meio do peito.

“Antes de ela nascer, as perspectivas eram muito más, mas agora são bem melhores”, refere na BBC o consultor em cardiologia pediátrica Frances Bu’Lock. Este profissional destaca que está tudo a correr “muito bem” e que Vanellope “provou ser muito resiliente”.

“No futuro, poderemos colocar algum tipo de protecção óssea para o coração, talvez usando a impressão 3D ou algo orgânico que cresça dentro dela”, acrescenta Bu’Lock.

Nos EUA, crianças como Vanellope também sobreviveram em alguns poucos casos, entre elas Audrina Cardenas, uma menina que nasceu no Texas em Outubro de 2012. Ela foi para casa três meses depois de passar pela operação, com uma capa plástica protectora sobre o coração.

“É mais do que um milagre”

No caso de Vanellope, há ainda “um longo caminho pela frente”, alertam os médicos, notando que o principal risco é de uma infecção.

O próximo passo é conseguir que a bebé respire sem a ajuda de um ventilador, como ainda acontece actualmente. “Ela está a desafiar todas as expectativas. É mais do que um milagre”, refere o pai.

E a mãe explica que o nome da menina veio de uma personagem do filme da Disney “Força Ralph”. “No filme, Vanellope é tão teimosa que se transforma numa princesa no final, por isso era adequado”, explica Naomi.

ZAP // BBC

 

Veja também:

A mãe recusou a criança, porque ele nasceu negro. A história do garoto abandonado.

No Quênia, um porco deu à luz um porco parecido com um humano

Na Argentina, a estátua da Virgem Maria “explodiu em lágrimas”