Refugiado economizou durante quatro anos para ser enganado, maltratado e agredido no Brasil

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que um refugiado sírio é estrangulado e arrastado por um funcionário público da Guarda Civil Metropolitana (GCM), no Centro de São Paulo em Julho de 2018.

Em nota publicada no Facebook, a Prefeitura Regional da Sé diz que a ação diz respeito a “desocupação de um banheiro público invadido na Liberdade”, localizado na Rua Galvão Bueno.

“No dia 26 de junho, um agente vistor da Regional esteve no local e intimou o proprietário para a desocupação. A medida foi necessária após constatação de não cumprimento do prazo de 15 dias para desocupação do imóvel”, diz a nota, ilustrada por uma cópia da intimação entregue ao comerciante.

Também nas redes sociais, a advogada Marina Tambelli compartilha o vídeo que mostra a violência da ação dos guardas da prefeitura. As imagens mostram três guardas contendo o homem e é arrastado na calçada, imobilizado pelo braço, enforcado, além de agredido verbalmente.

Segundo ela, o homem, de nome Jadallah, é um refugiado que economizou durante quatro anos para montar um negócio, alugou um imóvel em maio, realizou uma reforma durante 45 dias, investiu mais dinheiro em equipamentos e, no dia da inauguração do restaurante, a prefeitura decidiu manifestar a posse do local que teria deixado abandonado por três anos.

Tambelli diz ainda que o estrangeiro sofreu um golpe, ao alugar o imóvel de um estelionatário sem saber que era local público. “O local estava abandonado há mais de 3 anos, tanto é que foi alvo de um crime de estelionato, e a prefeitura, além de se beneficiar ilicitamente do crime sofrido pelo refugiado, ainda confiscou todos os seus equipamentos!”, diz a advogada.

A Prefeitura Regional da Sé confirma que os pertences de Jadallah foram lacrados e armazenados em um depósito. “Para reaver os pertences, o responsável deve comparecer à Prefeitura Regional Sé, na rua Álvares Penteado, 49 – 2º andar e abrir um processo de solicitação”, diz a prefeitura.

Imóvel público com fachada preta no bairro da Liberdade, no Centro de São Paulo, teria sido alugado para refugiado (Foto: Reprodução/Google Maps)

A Guarda Civil Metropolitana (GCM) foi questionada pelo G1 sobre as circunstâncias em que os guardas são orientados a aplicar golpes do tipo “mata- leão” nas pessoas, mas até as 18h30 não obteve retorno.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) foi questionada se a Polícia Militar atuou no local para efetuar a reintegração de posse ou se defendeu o cidadão estrangulado. Por telefone, a assessoria de imprensa informou que “A PM não atuou na ação, que aparece no vídeo por fazer patrulhamento de rotina e que não pode interferir na ação de outra força de segurança”.

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